10 dias de gastronomia, história e cultura nas Filipinas

Capixabas pelo mundo 12 Set 2017

 

Em minhas viagens tenho visto tantas cores, provado tantos sabores, dançado ao som de tantos ritmos, que acabo me sentindo em casa após alguns dias, e sofro um pouquinho quando tenho que voltar. Depois de passar por 3 continentes diferentes durante minha vida a bordo, o que vou contar aqui desta vez é a minha experiência literalmente do outro lado do mundo: as Filipinas. Mas, antes, preciso explicar como cheguei até aqui.

 

Tudo começou no início de 2015, quando conheci meu marido, natural de Cavite, região metropolitana de Manila, a bordo do navio de cruzeiro onde trabalhamos. Após dois anos indo e vindo, ele veio ao Brasil, nos casamos e então decidi passar a segunda parte das minhas férias nas Filipinas. E é aí que esta história começa.

 

Minha viagem foi um pouco longa, com conexões em São Paulo, Atlanta (EUA) e Tóquio (Japão). Tudo correu bem e, no dia 28 de Julho chego à capital Manila. A primeira impressão que tive foi: calor! Estamos no inverno no Brasil e aqui estamos na estação chuvosa, por isso senti a diferença. Após alguns dias lutando contra o jet lag – de 11 horas! – consegui me adaptar e, 10 dias após minha chegada, partimos rumo às ilhas na região de Central Visayas.

 

A primeira cidade foi Dumaguete. Localizada na província de Negros Oriental, a cidade tem uma atmosfera muito leve, com muita gente jovem, afinal, é uma cidade universitária. A primeira parada foi no restaurante Sans Rival. Lá pudemos apreciar as famosas silvanas. É uma sobremesa típica daquela região, com nozes, manteiga e merengue, crocante por fora e macia por dentro. Uma delícia. Dali fizemos uma visita ao Museu de Antropologia da Silliman University, e depois fomos tomar o que foram os coquetéis mais baratos da nossa viagem – cerca de 6 reais cada. Mas Dumaguete era só nosso ponto de parada. Dali seguimos no dia seguinte para uma pequena ilha a leste, chamada Siquijor.

 

Para os três dias seguintes alugamos uma scooter por cerca de 70 reais – pelos 3 dias – e começamos a explorar a ilha. A praia de Salagdoong, com águas cristalinas e areia branca cheia de conchinhas foi onde passamos o segundo dia, seguido de um jantar em um restaurante italiano, cujo dono era super simpático e caprichou nos nossos pedidos. No terceiro dia passamos a manhã na cachoeira Cambugahay, cuja água tem uma coloração azul clara, muito diferente do que eu já tenha visto. A tarde foi no Infinity Heights resort, localizado em uma área montanhosa, de onde se pode ver as ilhas de Bohol e Cebu, e onde pudemos desfrutar de um dos mais belos pores-do-sol.

 

 

Com as baterias recarregadas voltamos de barco para Dumaguete e de lá, de ônibus, para Bacolod, capital da província de Negros Ocidental. A gastronomia lá é bem variada, incluindo o chicken inasal, um frango assado muito saboroso acompanhado de arroz, e tradicionalmente comido com a mão, e também os peixes e frutos do mar nos restaurantes cooking service – o restaurante cozinha a quantidade e o tipo de peixe escolhido pelo cliente. No dia seguinte fomos a Silay, com várias casas antigas tombadas pelo patrimônio histórico, sendo duas delas transformadas em museu. Após uma breve chuva visitamos as chamadas “The Ruins”, o Taj Mahal de Negros, que é nada menos que uma mansão, construída pelo barão do açúcar Mariano Lacson em homenagem à sua esposa, Maria Braga, no início do século 20.

 

Nossa próxima parada foi a cidade de Iloilo, na província de Visayas Ocidental. Lá pudemos experimentar o famoso La Paz batchoy, uma sopa de carne de frango, porco, fígado e noodles, acompanhada do puto, um bolinho doce feito de farinha de arroz. Nas redondezas de Iloilo, em Miag-ao, fica a Igreja de São Tomas de Villanueva, inaugurada em 1797. Um pedacinho da história da colonização espanhola nas Filipinas.

 

A última parte da nossa viagem foi a ilha de Boracay, situada ao norte da ilha de Pasay. Realmente é como os sites e blogs de turismo descrevem: praia muito limpa e areia fina e branca e águas cristalinas. A estrutura turística lá só peca por não ter um bom calçamento/asfalto. No demais, o que se vê na orla são hotéis em cima de hotéis, de vários estilos e preços, serviços de massagem e tours para todos os gostos. O entretenimento noturno é bem variado, contando com restaurantes de culinária local e internacional à beira-mar, música ao vivo todas as noites, fire dancers, promoção de happy hour até a meia-noite, além das casas noturnas. Um caldeirão de cultura e vida em uma pequena ilha.

 

É impossível deixar de concluir, após os 10 dias de viagem, que consegui me apaixonar pelo país, tão diverso em cultura. Apesar de estar no mesmo nível econômico que o Brasil, eles nos dão uma lição de hospitalidade, em seu sorriso, a marca registrada, e em sua amabilidade. Nos sentimos em casa e a sensação que fica é que é possível aproveitar o potencial turístico que temos, tratando bem os clientes e deixando um gostinho de quero mais em cada um que visita este outro lado do mundo.

 

Curiosidades:

Localizada no sudeste da Ásia, a República da Filipinas é composta por 7.641 ilhas. As línguas oficiais são o inglês e o filipino (tagalog), mas várias outras línguas são faladas nas diversas regiões do país. É o caso de Dumaguete e Bacolod, onde se fala cebuano, ou visayan, e Iloilo, onde se fala hilligaynon. As línguas diferem tanto entre si que meu marido teria dificuldades em se comunicar, não fosse o inglês e o filipino.

 

A Filipinas foram “descobertas” em 1521 pelo Ferdinand Magellan, um português que servia à coroa Espanhola. O país ficou sob o domínio dos espanhóis até 1898, quando foi vendido aos Estados Unidos. Somente e 1946 o país se torna independente.

 

Aqui come-se muito arroz, sendo essa a parte mais importante de todas as refeições. Tem até um ditado muito comum: “no rice, no power” (sem arroz, sem força/energia, em tradução livre). O Mc Donalds aqui serve arroz, spaghetti e frango frito, competindo com a maior rede de fast-food das Filipinas: o Jolibee.

 

Ao contrário do Brasil, onde o futebol reina, o basquete é o esporte mais popular, devido à influência americana.

 

Nattany da Cunha Fernandes, turismóloga e Cocktail Waitress Costa Crociere. Conhce 23 países a trabalho.

Contato: nat_ebano@hotmail.com
 

Por: Jornal Turismo, Cultura & Serviços


 

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